Só
Íamos sós pela floresta amiga,
Íamos sós pela floresta amiga,
Sob o incenso da Lua que se evola,
Olhos nos Céus, modesta rapariga!
Como as crianças ao sair da escola.
Em teus olhos já meigos de fadiga,
Semi-cerrados como o olhar da rola,
Eu ia lendo essa bailada antiga
D'uns noivos mortos ao cingir da estola.
A Lua Branca, que é tua Avozinha,
Cobria com os seus os teus cabelos
E dava-te um aspecto de velhinha!
Que linda eras, o luar que o diga!
E eu compondo estes versos, tu a lê-los,
E ambos cismando na floresta amiga...
Porto, 1884