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Cançonetas

Fílis e Amor

N'um denso bosque
Pouco trilhado,
E a ternos crimes
Acomodado;
Por entre a rama
Fresca, e sombria
De tenro arbusto,
Que me encobria,
Vi sem aljava
Jazer Cupido,
Junto de Fílis
À mãe fugido.
Entre as nevadas
Mãos melindrosas
Tinha um fragrante
Festão de rosas.
A mais brilhante
D'ele afastando,
Dizia a Fílis
Com riso brando:
«Mimosa ninfa,
Glória de Amor,
Dás-lhe um beijinho
Por esta flor?
«Sou criancinha,
Não tenhas pejo.»
Sorriu-se Fílis,
E deu-lhe o beijo;
Mas o travesso
Logo outro pede
À simples ninfa,
Que lh'os concede:
Que por matar-lhe
Doces desejos
A cada instante
Repete os beijos.
Assim brincavam
Fílis, e Amor,
Eis que o menino,
Sempre traidor,
Co'a pequenina
Boca risonha
Lhe comunica
Sua peçonha.
Descora Fílis,
E de repente
Solta um suspiro
D'alma inocente.
Mal que o gemido
Férvido soa
O mau Cupido
Com ele voa.
«Ninguém, oh ninfa,
(Diz a adejar)
Brinca comigo
Sem suspirar.»

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