Sonetos
A frente, que de louro ergui cingida
A frente, que de louro ergui cingida,
Ufana do louvor, e da inocência,
Jaz por efeito d'hórrida aparência,
Curvada pelo opróbrio, e denegrida:
De mil gratos objetos guarnecida
Rutilava a meus olhos a existência;
Hoje, amável Prazer, na tua ausência
Parece aos olhos meus um ermo a vida.
De quantas cores se matiza o Fado!
Nem sempre o homem ri, nem sempre chora,
Mal com bem, bem com mal é temperado;
Os estados variam de hora em hora;
Sábio o mortal, que em um, que em outro estado
(Disposto a tudo) a Providência adora!