Sonetos
A loura Fílis, na estação das flores
A loura Fílis, na estação das flores,
Comigo passeou por este prado
Mil vezes, por sinal trazia ao lado
As Graças, os Prazeres, e os Amores.
Quantos mimos então, quantos favores,
Que inocente afeição, que puro agrado
Me não viram gozar (oh doce estado!)
Mordendo-se de inveja os mais pastores!
Porém, segundo o feminil costume,
Já Fílis se esqueceu do amor mais terno,
E com Jônio se ri de meu queixume.
Ah! se nos corações fosses eterno,
Tormento abrasador, negro ciúme,
Serias tão cruel como os do inferno!