Sonetos
Contigo, alma suave, alma formosa
Contigo, alma suave, alma formosa,
Celeste imagem, de que o céu me priva,
Que eu vivesse não quis, não quer que eu viva
Lei (sendo etérea) ao coração penosa:
Vendo sumir-me por morada umbrosa,
Ah! Não desmaies, a constância aviva,
E por artes de amor, de amor oh diva,
Do não-gozado amante os manes goza:
Mais doce orvalho de teus olhos desça,
À linda (como tu) melhor das flores,
Que em torno à campa se abotoe, e cresça;
Passeia entre os meninos voadores,
Une a mãe aos filhinhos, e pareça
Da morte a solidão jardim de amores.