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Sonetos

Da fria habitação, da vítrea gruta

Da fria habitação, da vítrea gruta
Alça o Calipo a fronte salitrosa;
E risonho penteia a nunca enxuta
Alva melena, ríspida, e limosa:
Em torno d'ele a modular se escuta
Chusma de ninfas cândida, e formosa;
Dos ventos o tropel bramindo luta
Lá na eólia masmorra cavernosa:
Dando lascivos ósculos nas flores
Gratos eflúvios Zéfiro derrama,
Desfaz do inverno os mádidos vapores:
Almo prazer os corações inflama,
Tudo respira amor, tudo louvores
Ao festivo natal do ilustre Gama.

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