Sonetos
Das terras a pior tu és, oh Goa
Das terras a pior tu és, oh Goa,
Tu pareces mais ermo, que cidade;
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris, ou que Lisboa:
A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o gran'Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da c'roa!
De timbres prenhe estás; mas ouro e prata
Em cruzes, com que d'antes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata:
Oh que feliz, e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!