Sonetos
De noturno, horroroso pesadelo
De noturno, horroroso pesadelo
Fui na mente sombria atormentado;
Inda palpito, da visão lembrado,
Esfria o sangue, eriça-se o cabelo:
Vi d'um lado a Desgraça impondo o selo
Às leis, que em dano meu criara o Fado;
Meus Males em tropel vi d'outro lado
Ais dirigindo a corações de gelo.
Co'a pátria, mundo, e céu me vi malquisto,
Ao longe a Glória laureada, e bela,
Ouvi dizer-me: — «De te honrar desisto!» —
Tive a Morte ante mim torva, amarela;
Fúrias, Manes: — O horror não parou n'isto,
Vi Nise, e o meu rival nos braços d'ela.