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Sonetos

De suspirar em vão já fatigado

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido, e mirrado:
Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
«Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, oh desgraçado!»
Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:
Emprega n'outro objeto os teus rigores;
«Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores.»

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