Sonetos
Desejo iluso, e vão! Para que traças
Desejo iluso, e vão! Para que traças
Quadro, que imagens divinais of'rece?
A terna ausente amada me aparece,
Em céu d'amores eclipsando as Graças:
Ante a doce visão com que me enlaças,
Já murcho, estéril já, meu ser florece:
Mas súbito fantasma eis desvanece
Chusma d'encantos, que em teu sonho abraças:
Croado de cipreste o Desengano
O meu nada me agoura... Oh dor mais forte
Do que em seu grau supremo o esforço humano!
Chorai, Piedade, e Amor, tão triste sorte,
Chorai: longe de Anália expira Elmano;
Os que a ternura uniu, desune a morte.