Sonetos
Esses tesouros, esses bens sagrados
Esses tesouros, esses bens sagrados
Para os cegos mortais, bens de que abunda
Ásia guerreira, América fecunda,
Filhos da terra, pelo sol gerados:
Honras, grandezas, títulos inchados
Servil incenso, adulação jocunda,
Não quero, não, que sobre mim difunda
Amiga destra de risonhos Fados:
Quero que as Fúrias hórridas m'escoltem,
Quero que contra mim, que em vão deliro,
Os racionais e irracionais se voltem:
Quero da morte o formidável tiro,
Contanto, oh Jônia, que meus lábios soltem
N'esses teus lábios o final suspiro.