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Sonetos

Musa chorosa, que por terra estranha

Musa chorosa, que por terra estranha
Tão longe de teu pátrio ninho amado
Andas errante, suspirando ao lado
Da Saudade fiel, que te acompanha:
Do chão, onde a lançaste, a lira apanha,
E seja em brando som por ti cantado
Um peito de virtudes adornado,
A piedosa, a magnânima Saldanha:
Louva os dons d'aquela alma excelsa e pura,
Que as tuas gastará mágoas penosas,
Como a aurora desfaz a noute escura:
Depois às lindas filhas melindrosas,
Rivais da mãe d'Amor na formosura,
Tece capelas e festões de rosas.

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