Sonetos
Nas horas de Morfeu vi a meu lado
Nas horas de Morfeu vi a meu lado
Pavoroso gigante, enorme vulto:
Tinha na mão sinistra, e quase oculto,
Volume em férrea pasta enquadernado:
— Ah! Quem és (lhe pergunto arrepiado)
Mereces o meu ódio, ou o meu culto?
«Sou (me diz) o que em sombras te sepulto,
Sou teu perseguidor, teu mal, teu Fado.
«Corres, triste mortal, por minha conta;
Mas há de a meu despeito haver quem corte
A série de tormentos, que te afronta:
«Poder vem perto, que te mude a sorte:
Lá tens o teu regresso...» — E n'isto aponta,
Olho rapidamente, e vejo a Morte.