Sonetos
No etéreo prado a lua apascentava
No etéreo prado a lua apascentava
Das estrelas o nítido rebanho,
Quando o mísero Almeno em clima estranho
De negro bosque as sombras penetrava:
«Silêncio, em cujo horror, que a vista agrava,
Qual fantasma notívago me entranho!
Sofre (dizia) os prantos, com que banho
De um crime a nódoa, que o chorar não lava.
«Sofre os gritos... mas ai! que sem piedade
Por entre folha e folha a luz procura
Furtar-me o triste bem da escuridade!
Onde te hei de escapar, oh sorte dura,
Oh cruel, insofrível claridade?
Já sei onde, já sei — na sepultura!»