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Sonetos

Oh trevas, que enlutais a natureza

Oh trevas, que enlutais a natureza,
Longos ciprestes d'esta selva anosa,
Mochos de voz sinistra, e lamentosa,
Que dissolveis dos fados a incerteza:
Manes, surgidos da morada acesa
Onde de horror sem fim Plutão se goza,
Não aterreis esta alma dolorosa,
Que é mais triste que vós minha tristeza:
Perdi o galardão da fé mais pura,
Esperanças frustrei do amor mais terno,
A posse de celeste formosura:
Volvei pois, sombras vãs, ao fogo eterno;
E lamentando a minha desventura
Movereis a piedade o mesmo inferno.

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