Sonetos
Pela voz do trovão corisco intenso
Pela voz do trovão corisco intenso
Clama, que à natureza impera um ente,
Que cinge do áureo dia o véu ridente,
Que veste d'atra noute manto denso:
Pasmar na imensidade, é crer o imenso;
Tudo em nós o requer, o adora, o sente;
Provam-te olhos, ouvidos, peito e mente?
Númen, eu ouço, eu olho, eu sinto, eu penso!
Tua ideia, oh gran'Ser, oh Ser divino,
Me é vida, se me dão mortal desmaio
Males que sofro, e males que imagino:
Nunca impiedade em mim fez bruto ensaio;
Sempre (até das paixões no desatino)
Tua clemência amei, temi teu raio.