Sonetos
Quando à que me rendeu jurava ufano
Quando à que me rendeu jurava ufano
Gostar por ela do funéreo instante,
Dizia a doce amada ao terno amante:
«Inália morrerá, se morre Elmano!»
O Tempo, das paixões, dos bens tirano,
Tornou ferino o divinal semblante,
E nos lábios gentis voz fulminante
Vibrou, vibrou-me um raio; — o desengano!
Esperanças, murchai; tu, lisonjeiro
Sonho adorável, com que o ser mantive,
Desfaze-te em meu ponto derradeiro:
Mas as cinzas do amante Amor não prive
Dos ais d'escravos seus: triste letreiro
Diga: — «Elmano morreu, e Inália vive.»