Sonetos
Queimando o véu dos séculos futuros
Queimando o véu dos séculos futuros
O vate, aceso em divinais luzeiros,
Assim cantou (e aos ecos pregoeiros
Exultaram, Sion, teus sacros muros):
«O justo descerá dos astros puros
Em deleitosos, cândidos chuveiros,
As feras dormirão com os cordeiros,
Soarão doce mel carvalhos duros;
A virgem será mãe; vós dareis flores,
Brenhas intonsas, em remotos dias;
Porás fim, torva guerra, a teus horrores.»
Não, não sonhou o altíssono Isaías;
Oh reis, ajoelhai, correi, pastores!
Eis a prole do Eterno, eis o Messias!