Sonetos
Sanhudo, inexorável Despotismo
Sanhudo, inexorável Despotismo,
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas,
Obra da Iniquidade, e do Ateísmo:
Assanhas o danado Fanatismo
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Porque o sol da Verdade envolva em trevas,
E sepulte a Razão n'um denso abismo:
Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas:
Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas só no ext'rior, não tiranizas
Do livre coração a independência.