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Sonetos

Tenho assaz conservado o rosto enxuto

Tenho assaz conservado o rosto enxuto
Contra as iras do Fado omnipotente;
Assaz contigo, oh Sócrates, na mente
À dor neguei das queixas o tributo:
Sinto engelhar-se da constância o fruto,
Cai no meu coração nova semente;
Já me não vale um ânimo inocente;
Gritos da Natureza! Eu vos escuto.
Jazer mudo entre as garras da Amargura,
D'alma estoica aspirar à vã grandeza,
Quando orgulho não for, será loucura.
No 'spírito maior sempre há fraqueza,
E, abafada no horror da desventura,
Cede a Filosofia à Natureza.

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