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Sonetos

Tu de quantos dragões o inferno encerra

Tu de quantos dragões o inferno encerra
És o pior, Inveja pestilente!
Morde a virtude, ao mérito faz guerra
Teu detestável, teu maligno dente:
Atenas por teu mando iniquamente
O defensor Temístocles desterra;
O gran' Pacheco, o raio do Oriente,
Por ti cruel, sem funerais se enterra:
Lívidas gotas de infernal peçonha
Cuspiste sobre o néctar, que a ventura
Por mãos de neve me ofreceu risonha:
E depois de tragar-me a Parca dura,
Há de ir ainda a tua voz medonha
Minha cinza afrontar na sepultura.

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