Sonetos
Tu, que na fouce de sanguíneo gume
Tu, que na fouce de sanguíneo gume
Tens fera, estragadora omnipotência,
Como sofres de Amor a resistência,
Oh Tempo devorante, oh ímpio nume?
E tu, que apagas da ternura o lume,
Que tornas o desvelo em sonolência,
Filha do Letes, esquecida Ausência,
Onde está teu poder, e o teu costume?
Nos outros c'o prazer morre a firmeza,
Arrefece a paixão de dia em dia,
Longe dos olhos por que fora acesa:
Mas em mim terno ardor jamais esfria;
Por glória da constância, ou da beleza,
Triunfam no meu peito Amor e Armia.