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Últimos Sonetos

Espasmos

Alma das gerações, alma lendária,
Que tens tanto de Hamlet, tanto de Ofélia,
A candidez da rosida camélia
E as lágrimas da sede hereditária;
Alma dormente, tumultuosa, vária,
Acorde de harpa misteriosa e célia,
Virgindade selvagem de bromélia,
Alma do Eleito, do Plebeu, do Pária;
És a chama do Amor, negro-vermelha
De onde rompeu a fúlgida centelha,
Que a Flor de fogo fez gerar no Dante.
Com teus espasmos e delicadezas,
Nervosas e secretas subtilezas,
Enches todo este abismo soluçante!

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