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Últimos Sonetos

Único remédio

Como a chama que sobe e que se apaga,
Sobem as vidas a espiral do Inferno.
O desespero é como o fogo eterno
Que o campo quieto em convulsões alaga...
Tudo é veneno, tudo cardo e praga!
E as almas que têm sede de falerno
Bebem apenas o licor moderno
Do tédio pessimista que as esmaga.
Mas a Caveira vem se aproximando,
Vem exótica e nua, vem dançando,
No estrambotismo lúgubre vem vindo.
E tudo acaba então no horror insano —
— Desespero do Inferno e tédio humano —
Quando, d'esguelha, a Morte surge rindo...

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