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Sobre esta tradução

Canção de maio · Iris · Goethe

Original. Mailied (na primeira edição, Mayfest), de Johann Wolfgang von Goethe: J. G. Jacobi (ed.), Iris, 2.º volume (Düsseldorf, 1775), p. 75–77; escrito em 1771, para Friederike Brion.

Metro do original. Dímetro jâmbico: 2 tempos por verso, com uma átona antes do primeiro. Os ímpares são graves (4 sílabas até a última tônica, mais uma átona) e os pares agudos. Nove quadras que rimam só os pares (xaxa); a 3.ª rima também os ímpares (Wonne/Sonne).

Metro da tradução. Tetrassílabo de 2 tempos, a mesma medida verso a verso: ímpares graves, pares agudos, base 2-4. Para não haver quatro esqueletos iguais seguidos, alguns versos começam na 1.ª (1-4). Rimas xaxa, com a 3.ª quadra rimando também os ímpares (encerra/terra), e uma família de rima diferente em cada estrofe.

Num verso de quatro sílabas cabem só duas palavras de peso, e por isso a tradução segue as exclamações de Goethe uma a uma. Onde dá, a forma vem do alemão. As duas anáforas ficaram: «Que brilho... Que sol...» e «Que amor o meu! / Que amor o teu!». A segunda guarda a rima de pronome de dich/mich. Os apelos com «ó» ficam nos mesmos lugares do «O» alemão. As duas «Morgen» do original (Morgenwolken, Morgenblumen) viraram «aurora» e «alva». A estrutura «So liebt die Lerche... wie ich dich liebe» virou «Ama a calhandra... como te quero».

O que cedeu foi a palavra literal. O «mir» do primeiro verso se perdeu, e o verso virou um apelo: «Ó Natureza». O símile das nuvens da manhã virou metáfora («Nuvem da aurora»), e o «jenen Höhn» ficou só no «além». A «névoa de flores» (Blütendampf) virou «floração», e o arbusto (Gesträuch) virou «jardim». Na 9.ª quadra, cantos e danças passam a ser dons da moça, quando em Goethe são o fim para que ela dá alento. O «ewig» do último dístico se perdeu: o voto «Sey ewig glücklich» virou o futuro «Feliz serás». A rima luz/reluz junta duas palavras da mesma raiz.

Notas sobre o texto original.

Primeira edição, a única no Wikisource; grafia e pontuação da Iris (iedem, ienen, ieder = jedem, jenen, jeder); quebras de página juntadas; nas edições de 1789 em diante o título é Mailied, com mudanças de pontuação e grafia, mas os mesmos 36 versos.

Fontes consultadas

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