Sobre esta tradução
Original. Der König in Thule, de Johann Wolfgang von Goethe: Faust. Eine Tragödie (Tübingen, J. G. Cotta, 1808), cena «Abend», p. 177-178; a canção de Margarida, escrita por volta de 1774.
Metro do original. Estrofe de balada popular: quadras de versos de 3 tempos, com uma ou duas átonas entre eles (6 ou 7 sílabas até a última tônica). Rima cruzada, grave nos versos ímpares e aguda nos pares.
Metro da tradução. Versos de 3 tempos, como em Goethe: hexassílabos e redondilhas maiores, com dois octossílabos, misturados como as 6 e 7 sílabas do alemão. Rima cruzada, grave nos versos ímpares e aguda nos pares.
A balada de Margarida cabe na medida curta da tradição portuguesa sem mudar o passo. O 2-4-7 de “Es war ein König in Thule” reaparece em “Em Tule, reino distante”, e o 3-5-7 de “Einen goldnen Becher gab” em “uma taça de ouro deu”. Os dois versos dos olhos, que Goethe faz iguais (“Die Augen gingen ihm über” / “Die Augen thäten ihm sinken”), têm aqui a mesma construção e o mesmo desenho: “vinha-lhe aos olhos o pranto” / “foram-lhe os olhos descendo”. O “sinken” repetido, da taça e dos olhos, virou “descer” / “descendo”. O “Meer” da quarta e da sexta estrofe é “mar” nas duas.
Cederam algumas coisas. O “gar treu bis an das Grab” ficou em “fiel viveu”, e Tule ganhou um “reino distante”. O velho “Zecher” (o beberrão) é só “o velho”, e a “letzte Lebensgluth” virou a chama da vida que o velho bebe. Caiu o “Tropfen” do último verso. A rima quase homófona “Meer / mehr” deu lugar a “descer / beber”, que guarda o eco entre “trinken” e “Trank”. A “Fluth” é a “maré”. Tule se lê Túle.
Notas sobre o texto original.
Só a balada, sem a rubrica da cena; quebra de página juntada; grafia de 1808 mantida (beym, Lebensgluth, Fluth, thäten); 6 quadras.