Segundos Cantos
A um Poeta Exilado
Il accuse et son siele, et ses chants, et sa lyre,
Et la coupe enivrante oú, trompant son delire,
La golire verse tant de fiel,
Et ses vœux, poursuivant des promesses funestes,
Et son cœur, et la Muse, et tous ces dons celestes,
Helas! qui ne sont pas le ciel! (V. Hugo)
Et la coupe enivrante oú, trompant son delire,
La golire verse tant de fiel,
Et ses vœux, poursuivant des promesses funestes,
Et son cœur, et la Muse, et tous ces dons celestes,
Helas! qui ne sont pas le ciel! (V. Hugo)
Também vaguei, Cantor, por clima estranho,
Vi novos vales, novas serranias,
Vi novos astros sobre mim luzindo;
E eu só! e eu triste!
Ao sereno Mondego, ao Doiro, ao Tejo
Pedi inspirações, — e o Doiro e o Tejo
Do mísero proscrito repetiram
Sentidos carmes.
Repetiu-mos o plácido Mondego,
Talvez em mais de um peito se gravaram,
Em mais de uns meigos lábios murmurados
Talvez soaram.
Os filhos de Minerva, novos cisnes,
Que a fonte dos amores meigos cria,
E alguns de Lísia sonorosos vates,
Sisudos velhos;
Ouvindo aquele canto agreste e rudo
Do selvagem guerreiro, — e a voz do piaga
Rugindo como o vento na floresta,
Prenhe d'augúrios;
Benignos me olharam, — e aos meus ensaios
Talvez sorriram, — porém mais prendeu-me,
Quem sofrendo como eu, chorou comigo,
Quem me deu lágrimas!
Eu pois, que nesta vida hei aprendido
Só cantar e sofrer, não vejo embalde
Ao canto a dor unida, — e os repassados
Versos de pranto.
Do triste poleá choro a desdita,
Choro e digo entre mim: « Pobre Canário
Que fado mau cegou porque soltasse
Mais doce canto;
Pobre Orfeu, nestes tempos mal nascido,
Atrás d'um bem sonhado pelo mundo
A vagar com lira — um bem que os homens
Não podem dar-te!
Sequer esta lembrança a dor te apague:
A vida é breve, e o teu cantar simelha
Vagido fraco de menino enfermo
Que Deus escuta