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Segundos Cantos

Agora e Sempre

Pone me pigris ubi nulla campis
Arbor æstiva recreatur aura,
Dulce ridentem Lalagem amabo,
Dulce loquentem. (Horacio, Od.)
Ponham-me embora lá na Líbia ardente,
Ou lá nas zonas em que o gelo mora,
Ali tua alma viverá comigo,
Ali teu nome!
Ponham-me em terras que leões só criam,
Nas altas serras que o condor habita;
Ali ainda viverá contigo
Minha alma ardente.
Faminto e triste na região deserta,
Co'os pés em sangue de farpada estilha,
Cortado o rosto de gelado vento,
Mádida a coma;
Ali aos urros do leão sedento,
Aos crebros gritos do condor alpestre,
Ardendo em chamas deste amor sem termo,
Direi: Eu te amo!
Duros ferrolhos de prisão medonha
Sinta eu embora sepultar-me em vida,
Sinta eu embora roxear-me os pulsos
Férreas algemas;
Embora malhos de tortura infame
Quebrem-me os ossos no medroso ecúleo;
Agudos dentes de tenaz raivosa
Mordam-me as carnes:
Nas feias sombras da cruel masmorra,
Nos duros tratos da tortura bruta,
Quer só comigo, quer em meio às gentes,
Direi: Eu te amo!
Mas nunca o gelo. nem a frágua ardente,
Nem brutas feras, nem crueza humana
Farão que eu sofra mais agudas dores
Nem mais penadas!
Reclina-se outro em teu nevado seio,
Cinge-te o corpo em divinais carícias,
Beija-te o colo, beija-te o sorriso,
Beija-te os olhos!
E eu no entanto estorço-me com dores!
Praguejo o inferno que nos pôs tão longe,
Louco bravejo, mísero soluço.
Dano minha alma!

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