Sonetos
Ai amiga cruel! que apartamento
Ai amiga cruel! que apartamento
É este que fazeis da pátria terra?
Ai! quem do amado ninho vos desterra,
Glória dos olhos, bem do pensamento?
Is tentar da fortuna o movimento,
E dos ventos cruéis a dura guerra?
Ver brenhas de ondas? feito o mar em serra
Levantado de um vento e de outro vento?
Mas já que vós partis, sem vos partirdes,
Parta convosco o Céu tanta ventura,
Que se avantaje àquela qu'esperardes.
E só desta verdade ide segura,
Que fazeis mais saudades com vos irdes,
Do que levais desejos por chegardes.