Sonetos
Cara minha inimiga, em cuja mão
Cara minha inimiga, em cuja mão
Pôs meus contentamentos a ventura,
Faltou-te a ti na terra sepultura,
Porque me falte a mi consolação.
Eternamente as águas lograrão
A tua peregrina formosura:
Mas enquanto me a mim a vida dura,
Sempre viva em minha alma te acharão.
E se meus rudos versos podem tanto,
Que possam prometer-te longa história
De aquele amor tão puro e verdadeiro;
Celebrada serás sempre em meu canto:
Porque enquanto no mundo houver memória,
Será a minha escritura o teu letreiro.