Sonetos
Guardando em mi a Sorte o seu direito
Guardando em mi a Sorte o seu direito.
Em verde me cortou minha alegria.
Oh quanto feneceu naquele dia,
Cuja triste lembrança arde em meu peito!
Quando mais o imagino, bem suspeito
Que a tal bem tal desconto se devia,
Por não dizer o mundo que podia
Achar-se em seus enganos bem perfeito.
Pois se a Fortuna o fez por descontar-me
Aquele gosto, em cujo sentimento
A memória não faz senão matar-me;
Que culpas pode dar-me o pensamento,
Se a causa qu'ele tem de atormentar-me,
Tenho eu de sofrer mal o seu tormento?