Sonetos
Lindo e sutil trançado, que ficaste
Lindo e sutil trançado, que ficaste
Em penhor do remédio que mereço,
Se só contigo, vendo-te, endoudeço,
Que fora co'os cabelos que apertaste?
Aquelas tranças de ouro que ligaste,
Que os raios do sol têm em pouco preço,
Não sei se ou para engano do que peço,
Ou para me matar as desataste.
Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
E por satisfação de minhas dores,
Como quem não tem outra, hei de tomar-te.
E se não for contente o meu desejo,
Dir-lhe-ei que nesta regra dos amores
Por o todo também se toma a parte.