Sonetos
Na desesperação já repousava
Na desesperação já repousava
O peito longamente magoado,
E, com seu dano eterno concertado,
Já não temia, já não desejava;
Quando uma sombra vã me assegurava
Que algum bem me podia estar guardado
Em tão formosa imagem, que o traslado
N'alma ficou, que nela se enlevava.
Que crédito que dá tão facilmente
O coração àquilo que deseja,
Quando lhe esquece o fero seu destino!
Ah! deixem-me enganar; que eu sou contente;
Pois, posto que maior meu dano seja,
Fica-me a glória já do que imagino.