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Sonetos

Nem o tremendo estrépito da guerra

Nem o tremendo estrépito da guerra
Com armas, com incêndios espantosos
Que despacham pelouros perigosos,
Bastantes a abalar uma alta serra,
Podem pôr medo a quem nenhum encerra,
Despois que viu os olhos tão formosos,
Por quem o horror nos casos pavorosos
De mi todo se aparta e se desterra,
A vida posso ao fogo e ferro dar,
E perdê-la em qualquer duro perigo,
E nele, como fênix, renovar.
Não pode mal haver para comigo,
De qu'eu já me não possa bem livrar,
Senão do que me ordena Amor imigo.

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