Sonetos
Nos braços de um Silvano adormecendo
Nos braços de um Silvano adormecendo
Se estava aquela Ninfa qu'eu adoro,
Pagando com a boca o doce foro,
Com que os meus olhos foi escurecendo.
Oh bela Vênus! porqu'estás sofrendo
Que a maior formosura do teu coro
Em um poder tão vil perca o decoro
Que o mérito maior lhe está devendo?
Eu levarei daqui por pressuposto
Desta nova estranheza que fizeste,
Que em ti não pode haver cousa segura.
Que, pois o claro lume, o belo rosto
Àquele monstro tão disforme deste,
Não creio qu'haja Amor, senão Ventura.