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Sonetos

O raio cristalino se estendia

O raio cristalino se estendia
Por o mundo da Aurora marchetada,
Quando Nise, pastora delicada,
Donde a vida deixava se partia.
Dos olhos, com que o sol escurecia,
Levando a luz em lágrimas banhada,
De si, do fado, e tempo magoada,
Pondo os olhos no Céu, assi dizia:
Nasce, sereno sol, puro e luzente;
Resplandece, purpúrea e branca aurora,
Qualquer alma alegrando descontente;
Que a minha, sabe tu que desde agora
Jamais na vida a podes ver contente,
Nem tão triste nenhuma outra pastora.

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