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Sonetos

Quando vejo que meu destino ordena

Quando vejo que meu destino ordena
Que, por me exprimentar, de vós me aparte,
Deixando de meu bem tão grande parte,
Que a mesma culpa fica grave pena;
O duro desfavor, que me condena,
Quando por a memória se reparte,
Endurece os sentidos de tal arte
Que a dor da ausência fica mais pequena.
Mas como pode ser que na mudança
D'aquilo que mais quero, estê tão fora
De me não apartar também da vida?
Eu refrearei tão áspera esquivança:
Porque mais sentirei partir, Senhora,
Sem sentir muito a pena da partida.

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