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Sonetos

Quanta incerta esperança, quanto engano

Quanta incerta esperança, quanto engano!
Quanto viver de falsos pensamentos!
Pois todos vão fazer seus fundamentos
Só no mesmo em qu'está seu próprio dano.
Na incerta vida estribam de um humano;
Dão crédito a palavras que são ventos;
Choram despois as horas e os momentos,
Que riram com mais gosto em todo o ano.
Não haja em aparências confianças;
Entendei que o viver é de emprestado;
Que o de que vive o mundo são mudanças.
Mudai, pois, o sentido e o cuidado,
Somente amando aquelas esperanças
Que duram para sempre com o amado.

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