Sonetos
Que poderei do mundo já querer
Que poderei do mundo já querer,
Pois no mesmo em que pus tamanho amor,
Não vi senão desgosto e desfavor,
E morte, enfim; que mais não pode ser?
Pois me não farta a vida de viver,
Pois já sei que não mata grande dor,
Se houver cousa que mágoa dê maior,
Eu a verei; que tudo posso ver.
A Morte, a meu pesar, me assegurou
De quanto mal me vinha: já perdi
O que a perder o medo me ensinou.
Na vida desamor somente vi,
Na morte a grande dor que me ficou:
Parece que para isto só nasci.