Machado de Assis
Quincas Borba
Romance publicado em 1891, o segundo da fase madura de Machado de Assis, ligado às Memórias Póstumas de Brás Cubas pela figura do filósofo Quincas Borba.
Capítulos
- Prólogo da terceira edição
- IRubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o…
- IIQue abismo que há entre o espírito e o coração! O espírito…
- IIIUm criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto…
- IVEste Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as…
- VRubião achou um rival no coração de Quincas Borba, — um…
- VI— Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta…
- VIIQuincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante.…
- VIIINo dia seguinte, Quincas Borba acordou com a resolução de…
- IXHoras depois, teve Rubião um pensamento horrível. Podiam…
- XSete semanas depois, chegou a Barbacena esta carta, datada…
- XINo começo da semana seguinte, recebendo os jornais da corte…
- XII— Acabou de sofrer! suspirou Rubião. Em seguida, atentando…
- XIIIA notícia correra a cidade, o vigário, o farmacêutico da…
- XIVQuando o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para…
- XVTal era a cláusula. Rubião achou-a natural, posto que só…
- XVI— Quincas Borba! Quincas Borba! eh! Quincas Borba! bradou…
- XVII— Sinhá comadre, o cachorro? perguntou Rubião com…
- XVIIIRubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a…
- XIXNão esqueça dizer que Rubião tomou a si mandar dizer uma…
- XXRegulados os preliminares para a liquidação da herança,…
- XXINa estação de Vassouras, entraram no trem Sofia e o marido,…
- XXIIChegados à estação da Corte, despediram-se quase…
- XXIIINo dia seguinte, estava Rubião ansioso por ter ao pé de si…
- XXIVRubião tinha vexame, por causa de Sofia; não sabia haver-se…
- XXVJantou lá muitas vezes. Era tímido e acanhado. A frequência…
- XXVI— Parece que ela os compra em alguma fábrica misteriosa,…
- XXVIITudo isso passava agora pela cabeça do Rubião, depois do…
- XXVIII— Mas que pecado é este que me persegue? pensava ele…
- XXIXRubião passou o resto da manhã alegremente. Era domingo;…
- XXXRubião perguntou-lhe uma vez: — Diga-me, Sr. Freitas, se me…
- XXXIQueres o avesso disso, leitor curioso? Vê este outro…
- XXXII— Quem é que manda isto? perguntou Rubião, — D. Sofia.…
- XXXIIIRubião viu-os ir, entrou, meteu-se na sala, e ainda uma vez…
- XXXIV— Por que veio tão tarde? perguntou-lhe Sofia, logo que ele…
- XXXVAs senhoras casadas eram bonitas; a mesma solteira não…
- XXXVI— Meu Deus! como é bonita! Sinto-me capaz de fazer um…
- XXXVIIEntende-se bem que D. Tonica observasse a contemplação dos…
- XXXVIIIRubião estava resoluto. Nunca a alma de Sofia pareceu…
- XXXIXA lua era magnífica. No morro, entre o céu e a planície, a…
- XLEm cima, as estrelas pareciam rir daquela situação…
- XLI— Vamos para dentro, murmurou Sofia. Quis tirar o braço;…
- XLII— Olá! estão apreciando a lua? Realmente, está deliciosa;…
- XLIIILadeira abaixo, D. Tonica foi ouvindo o resto do discurso…
- XLIVNão vades crer que a dor aqui foi mais verdadeira que a…
- XLVE enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico…
- XLVIO rumor das vozes e dos veículos acordou um mendigo que…
- XLVIIRubião não era filósofo; a comparação que ali fez entre os…
- XLVIII— Vossa Senhoria há de ter visto que o cavalinho é bom...…
- XLIXO cão ladrou de dentro; mas, logo que Rubião entrou,…
- LNão, senhora minha, ainda não acabou este dia tão comprido;…
- LIBanhado, barbeado, meio vestido, Palha lia os jornais, à…
- LIINisto passou um rapaz alto, que a cortejou sorrindo e…
- LIIIPerdoem-lhe esse riso. Bem sei que o desassossego, a noite…
- LIVQuinze dias depois, estando Rubião em casa, apareceu-lhe o…
- LVTudo esperava o outro, menos isto. Daí o espanto em que se…
- LVIMas, por que é que Rubião ia deixá-los? Que razão? Que…
- LVIICamacho era homem político. Formado em direito em 1844,…
- LVIIIDias antes, indo passar a noite em casa de um conselheiro,…
- LIX— Sim, mas eu preciso ir a Minas, teimou Rubião. — Para…
- LXPobre Minas! Rubião voltou para casa, sozinho, a passo…
- LXI— Que é que tem aí na mão? inquiriu Camacho, logo que…
- LXIIRubião despediu-se. No corredor passou por ele uma senhora…
- LXIIINa rua, encontrou Sofia com uma senhora idosa e outra moça.…
- LXIVSofia deu-lhe a mão gentilmente, sem sombra de rancor. As…
- LXVCurta foi a visita de Rubião. Às nove horas levantou-se ele…
- LXVI— Como ele diz aquelas coisas tão naturalmente! pensou…
- LXVIIDe manhã, na cama, teve um sobressalto. O primeiro jornal…
- LXVIIIMaria Benedita consentiu finalmente em aprender francês e…
- LXIXOs quinze minutos foram contados no relógio do Rubião, que…
- LXXRubião cedeu a cadeira, e acompanhou Carlos Maria, que…
- LXXIEm casa, ao despentear-se, Sofia falou daquele sarau como…
- LXXIIEntre duas frases, sentiu que alguém lhe punha a mão no…
- LXXIII«A noite era clara; fiquei cerca de uma hora entre o mar e…
- LXXIVEnquanto ela repetia a declaração da véspera, Carlos Maria…
- LXXVOutras mulheres vieram ali, — as que o preferiam aos demais…
- LXXVIMontava bem. Toda a gente que passava, ou estava às portas,…
- LXXVII— Já de pé! repetiu Sofia, ao ver a prima lendo os jornais.…
- LXXVIIIRubião é que não perdeu a suspeita assim tão facilmente.…
- LXXIX— E por que não? perguntou uma voz, depois que o major…
- LXXXMas a voz repetiu: — E por que não? Sim, por que não havia…
- LXXXIAntes de cuidar da noiva, cuidou do casamento. Naquele dia…
- LXXXIIEsses sonhos iam e vinham. Que misterioso Próspero…
- LXXXIIIUm dia, como houvesse saído mais cedo de casa, e não…
- LXXXIVCom que então, Sofia queria casá-lo? saiu pensando o…
- LXXXVMas não há serenidade moral que corte uma polegada sequer…
- LXXXVITudo aquilo saiu tão espontaneamente ao Rubião, que ele só…
- LXXXVIIRubião chegou ao fim da rua da Saúde. Ia à toa com os olhos…
- LXXXVIIIA vista do tilbury fez-lhe lembrar o doente da praia…
- LXXXIXComo a ideia tornasse ainda, Rubião atirou-se depressa ao…
- XC— Não, não podia ser ela, refletiu Rubião, em casa,…
- XCISoou a campainha de jantar; Rubião compôs o rosto, para que…
- XCIIDe noite, correu à praia do Flamengo. Não pôde falar a…
- XCIIIRubião, ficando só com as duas mulheres, entrou a andar de…
- XCIVSofia desceu logo, achou Rubião transtornado, fugindo com…
- XCV— Vou agarrá-la antes de chegar ao Catete, disse Rubião…
- XCVIE o homem empurrado, apenas sentiu o empurrão. Caminhava…
- XCVIIQuando Rubião chegou à esquina do Catete, a costureira…
- XCVIIIRubião sentou-se na cama, estremunhado, não reparou na…
- XCIXSaiu o moleque; Rubião ficou passeando no jardim, com as…
- CNenhum dos habituados da casa compareceu ao almoço. Rubião…
- CIFoi nesse estado que o veio achar a notícia da morte do…
- CIIEra noite entrada. Rubião vinha por ali abaixo, recordando…
- CIIIAo sétimo dia da morte de D. Maria Augusta, rezou-se a…
- CIVSofia, depois de estar alguns segundos à escuta, tornou à…
- CVTão nervosa esteve durante os primeiros instantes, que não…
- CVI... ou, mais propriamente, capítulo em que o leitor,…
- CVIIDas reflexões de Sofia é que não há que explicar. Todas…
- CVIIIDurante alguns meses, Rubião deixou de ir ao Flamengo. Não…
- CIXNessa noite, Rubião sonhou com Sofia e Maria Benedita.…
- CXRubião fez os dois empréstimos e o negócio. O negócio era…
- CXIRubião aplaudiu o artigo; achava-o excelente. Talvez pouco…
- CXIIAqui é que eu quisera ter dado a este livro o método de…
- CXIIISe tal fosse o método deste livro, eis aqui um título que…
- CXIVAo contrário, não sei se o capítulo que se segue poderia…
- CXVRubião foi mantendo o propósito de não tornar a ver Sofia;…
- CXVIIam casar? Mas como é então que... Maria Benedita, — era…
- CXVIIA história do casamento de Maria Benedita é curta; e, posto…
- CXVIIIAdeus, padre Chagas! Vou à história do casamento. Que Maria…
- CXIX«Um marido, ainda mau, é sempre melhor que o melhor dos…
- CXXNo domingo seguinte, D. Fernanda foi à igreja de Santo…
- CXXI— Bem, vai casar, tanto melhor! pensou Rubião. Entre aquela…
- CXXII— Ainda bem que se casa! repetiu o Rubião. Não se demorou o…
- CXXIIIOra bem, aquele quadro, na mesma hora em que aparecia aos…
- CXXIVCasaram-se; três meses depois foram para a Europa. Ao…
- CXXVSofia não foi a bordo, adoeceu e mandou o marido. Não vão…
- CXXVIEntretanto, Rubião e Palha desciam do paquete para a lancha…
- CXXVIIRubião acordou. Era a primeira vez que ia a um paquete.…
- CXXVIII— A mim? perguntou Rubião depois de alguns segundos. — A…
- CXXIXNão havia banco, nem lugar de diretor, nem liquidação; mas…
- CXXX— Quem diria que a gente do Palha nos trataria deste modo?…
- CXXXIRubião tratou-os com simpatia. Não continuou a defender a…
- CXXXIILogo que Rubião dobrou a esquina da rua das Mangueiras, D.…
- CXXXIIIAinda não disse, — porque os capítulos atropelam-se debaixo…
- CXXXIVFazer um capítulo só para dizer que, a princípio, os…
- CXXXVRubião protegia largamente as letras. Livros que lhe eram…
- CXXXVIO cobrador não foi ao diabo; recebeu o preço do semestre,…
- CXXXVIIMas — oh lance da fortuna! oh equidade da natureza! — os…
- CXXXVIIIE Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et…
- CXXXIXRubião ainda quis valer ao major, mas o ar de fastio com…
- CXLPois que se trata de cavalos, não fica mal dizer que a…
- CXLI— Está dito, vamos amanhã, repetiu Rubião, que espreitava o…
- CXLIISofia deixou-se estar ouvindo, ouvindo... Interrogou outras…
- CXLIIIFez-se o passeio à Tijuca, sem outro incidente mais que uma…
- CXLIV— Fiquei com o joelho dorido, disse ela entrando em casa e…
- CXLVFoi por esse tempo que Rubião pôs em espanto a todos os…
- CXLVI— Senhor... — Uhm! repetiu Quincas Borba, de pé nos joelhos…
- CXLVIIFicando só, Rubião atirou-se a uma poltrona, e viu passar…
- CXLVIIIQuando desceu da lua, ouviu os ganidos do cachorro e sentiu…
- CXLIX— Que mudança é essa? perguntou Sofia, quando ele lhe…
- CLTeso, descoberto, o lacaio abriu a portinhola do coupé,…
- CLITão rápido foi tudo, que Sofia perdeu a voz e o movimento;…
- CLIISofia encolhera-se muito ao canto. Podia ser estranheza da…
- CLIII— Sofia... disse de repente Rubião; e continuou com pausa:…
- CLIVApenas separados, deu-se em ambos um contraste. Rubião, na…
- CLVEspalhou-se a nova da mania de Rubião. Alguns, não o…
- CLVIPassaram-se alguns meses, veio a guerra franco-prussiana, e…
- CLVIIA compaixão de Sofia, — explicado o mal de Rubião pelo amor…
- CLVIII— Por que não o tratam? perguntou uma noite D. Fernanda,…
- CLIXSe a manhã seguinte não fosse chuvosa, outra seria a…
- CLXNisto, a chuva cessou um pouco, e um raio de sol logrou…
- CLXISofia resignou-se à reclusão. Já agora tinha a alma tão…
- CLXIINo dia seguinte, o sol apareceu claro e quente, o céu…
- CLXIIIAssim, pois, o que parecia vontade imperiosa reduzia-se a…
- CLXIVUm só incidente afligiu Sofia naquele dia puro e brilhante,…
- CLXVTudo se fez sossegadamente. Palha alugou uma casinha na rua…
- CLXVIRubião notou que eles não o acompanharam à casa nova, e…
- CLXVII— Conversei com o homem; achei-lhe ideias delirantes.…
- CLXVIIIE daí, quem sabe? repetiu o Dr. Falcão na manhã seguinte. A…
- CLXIXA volta de Carlos Maria e da mulher interrompeu as…
- CLXX— Você que tem? perguntou Maria Benedita ao marido, logo…
- CLXXI— Perfeitamente! Assim é que eu os quero ver! bradou uma…
- CLXXII— Mas se a queda do ministério é verdadeira disse ela, sabe…
- CLXXIII— Com quê, o Teófilo está ministro! exclamou Carlos Maria.…
- CLXXIVQuando Rubião foi à casa de D. Fernanda, à tardinha, ouviu…
- CLXXV— Anda, vamos jantar, repetiu D. Fernanda. Teófilo deu um…
- CLXXVIAo almoço, no dia seguinte, Teófilo recebeu uma carta por…
- CLXXVIID. Fernanda esperou, cheia de ânsias, como se o ministério…
- CLXXVIIID. Fernanda anuiu à proposta; não interrompia a educação do…
- CLXXIXRubião, desde o dia da crise ministerial, não tornou à casa…
- CLXXXDaquela vez, teve a fortuna de encontrar o major Siqueira.…
- CLXXXIRubião escutou calado um discurso do major. O casamento era…
- CLXXXIIRubião não cuidou mais do coche nem do esquadrão de…
- CLXXXIIIA vizinha riu-se. A mãe riu-se também. Confessou que o…
- CLXXXIVDuas horas depois da cena da rua da Ajuda chegou Rubião à…
- CLXXXVRubião foi recolhido a uma casa de saúde. Palha esquecera a…
- CLXXXVI— Para mim, é claro, saiu pensando o Dr. Falcão, aquele…
- CLXXXVIILá ficou o homem. Quincas Borba tentara entrar na carruagem…
- CLXXXVIII— Mando ver, é aqui perto, propôs Sofia. — Vamos nós…
- CLXXXIXSaíram. Sofia, antes de pôr o pé na rua, olhou para um e…
- CXCSobreveio um sucesso que distraiu D. Fernanda do Rubião;…
- CXCI«Conto restituí-lo à razão no fim de seis ou oito meses.…
- CXCII— Seis meses, oito meses passam depressa, reflexionou D.…
- CXCIIINo dia seguinte ao baile, D. Fernanda acordou tarde. Foi ao…
- CXCIVComo achar, porém, o nosso Rubião nem o cachorro, se ambos…
- CXCVRubião, logo que chegou a Barbacena e começou a subir a rua…
- CXCVISúbito, relampejou; as nuvens amontoavam-se às pressas.…
- CXCVIIVagaram sem destino. O estômago de Rubião interrogava,…
- CXCVIII— Ao vencedor, as batatas! exclamou Rubião quando deu com…
- CXCIXFoi a comadre do Rubião, que o agasalhou e mais ao…
- CCPoucos dias depois morreu... Não morreu súdito nem vencido.…
- CCIQueria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu…