As Viagens
XII
A Morte
Oh! a jornada negra! A alma se despedaça...
Tremem as mãos... O olhar, molhado e ansioso, espia,
E vê fugir, fugir a ribanceira fria,
Por onde a procissão dos dias mortos passa.
No céu gelado expira o derradeiro dia.
E a última região que o teu olhar devassa!
E só, trevoso e largo, o mar estardalhaça
No indizível horror de uma noite vazia...
Pobre! porque, a sofrer, a Leste e a Oeste, ao Norte
E ao Sul, desperdiçaste a força de tua alma?
Tinhas tão perto o Bem, tendo tão perto a Morte!
Paz à tua ambição! paz à tua loucura!
A conquista melhor é a conquista da Calma:
— Conquistaste o país do Sono e da Ventura!