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Tarde

A morte de Orfeu

“Em vão as bacantes da Trácia procuraram consolá-lo. Mas Orfeu, fiel ao amor de Eurídice, encarcerada no Averno, repeliu o amor de todas as outras mulheres. E estas, despeitadas, esquartejaram-no.”
Houve gemidos no Ebro e no arvoredo,
Horror nas feras, pranto no rochedo;
E fugiram as Mênadas, de medo,
Espantadas da própria maldição.
Luz da Grécia, pontífice de Apolo,
Orfeu, despedaçada a lira ao colo,
A carne rota ensanguentando o solo,
Tombou... E abriu-se em músicas o chão...
A boca ansiosa um nome disse, um grito,
Rolando em beijos pelo nome dito:
“Eurídice!”, e expirou... Assim Orfeu,
No último canto, no supremo brado,
Pelo ódio das mulheres trucidado,
Chorando o amor de uma mulher, morreu...

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