Via Láctea
VII
Não têm faltado bocas de serpentes
Não têm faltado bocas de serpentes,
(D'essas que amam falar de todo o mundo,
E a todo o mundo ferem, maldizentes)
Que digam: — Mata o teu amor profundo!
Abafa-o, que teus passos imprudentes
Vão-te levando a um pélago sem fundo...
«Vais-te perder! — E, arreganhando os dentes,
Movem para teu lado o olhar imundo:
— Se ela é tão pobre, se não tem beleza,
Irás deixar a glória desprezada
E os prazeres perdidos por tão pouco?
Pensa mais no futuro e na riqueza! —
E eu penso que afinal... Não penso em nada:
Penso apenas que te amo como um louco!