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Via Láctea

XXXV

Pouco me pesa que mofeis sorrindo

Pouco me pesa que mofeis sorrindo
D'estes versos puríssimos e santos:
Porque, n'isto de amor e íntimos prantos,
Dos louvores do público prescindo.
Homens de bronze! um haverá, de tantos,
(Talvez um só!) que, esta paixão sentindo,
Aqui demore o olhar, vendo e medindo
O alcance e o sentimento d'estes cantos.
Será esse o meu público. E, decerto,
Esse dirá: — Pode viver tranquilo
Quem assim ama, sendo assim amado! —
E, trêmulo, de lágrimas coberto,
Há de estimar quem lhe contou aquilo
Que nunca ouviu com tanto ardor contado.

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