Via Láctea
XXI
Sei que um dia não há (e isso é bastante
A minha mãe
Sei que um dia não há (e isso é bastante
A esta saudade, mãe!), em que a teu lado
Sentir não julgues minha sombra errante
Passo a passo a seguir teu vulto amado.
— Minha mãe! minha mãe! — a cada instante
Ouves. Tornas, em lágrimas banhado,
O rosto, conhecendo soluçante
Minha voz e meu passo costumado.
E sentes alta noite no teu leito
Minh'alma na tua alma repousando,
Repousando meu peito no teu peito...
E encho os teus sonhos, em teus sonhos brilho,
E abres os braços trêmulos, chorando,
Para nos braços apertar teu filho!