Via Láctea
XXIV
Vejo-a, contemplo-a comovido... Aquela
A Luiz Guimarães.
Vejo-a, contemplo-a comovido... Aquela
Que amaste, e, de teus braços arrancada,
Desceu da morte a tenebrosa escada,
Calma e pura aos meus olhos se revela.
Vejo-lhe o riso plácido, a singela
Feição, aquela graça delicada,
Que uma divina mão deixou vazada
No eterno bronze, eternamente bela.
Só lhe não vejo o olhar sereno e triste:
— Céu, poeta, onde as asas, suspirando,
Chorando e rindo loucamente abriste...
— Céu povoado de estrelas, onde as hordas
Dos arcanjos cruzavam-se, pulsando
Das liras de ouro as gemedoras cordas.