Ir para o texto
Biblioteca

Sinfonias

Luar do verão

Contempla a noite; o espaço de astros de ouro
Constela-se e flameja; as nebulosas
Fulgem, são as espumas luminosas
D'esse p'ra nós voltado sorvedouro...
Ouve do vento as súplicas, o choro
Pela copa das árvores frondosas;
A água resplende; as ondas, nas musgosas
Penhas, esbarram com medonho estouro...
Mudos e sós, vamos de braço dado,
Voa nossa alma arrebatada e presa
Nos mistérios do azul iluminado...
Ó Lúcifer! tu és a Natureza...
Se Adão mordeu o pomo do pecado,
Foi n'uma noite d'estas, com certeza.

Sobre esta edição