Versos e Versões
Sobre as «Manhãs do estio»
À memória do poeta Jorge Rodrigues
Àquele, cujo espírito arroubado,
—Condor frechado por ignota seta—
Ala-se, à fria luz dormente e quieta
Das estrelas, ao ninho azul sonhado;
Tu, Musa de ar excêntrico e magoado,
Não lhe aparelhas, tu, Musa do poeta,
Um tálamo entre rosas; mas, discreta,
Entre goivos o túmulo ignorado...
D'essas manhãs, irônica e funesta,
Flores da juventude e da alegria
Tu semeaste, entre as risonhas galas;
Mas do vento, que, na harpa da floresta,
Guaia e soluça, antes do fim do dia,
Veio o primeiro sopro desfolhá-las.
Setembro, 86.