Parte II
Chapitre IV — De la proposition du mystère, troisième point de la préparation
Capítulo IV — Da proposição do mistério, terceiro ponto da preparação
II.4 Après ces deux points ordinaires de la méditation, il y en a un troisième qui n’est pas commun à toutes sortes de méditations : c’est celui que les uns appellent fabrication du lieu, et les autres, leçon intérieure. Or, ce n’est autre chose que de proposer à son imagination le corps du mystère que l’on veut méditer, comme s’il se passait réellement et de fait en notre présence. Par exemple, si vous voulez méditer Notre Seigneur en croix, vous vous imaginerez d’être au mont de Calvaire, et que vous voyez tout ce qui se fit et se dit au jour de la Passion ; ou, si vous voulez, car c’est tout un, vous vous imaginerez qu’au lieu même où vous êtes se fait le crucifiement de Notre Seigneur, en la façon que les Évangélistes le décrivent. J’en dis de même quand vous méditerez la mort, ainsi que je l’ai marqué en la méditation d’icelle, comme aussi à celle de l’enfer, et en tous semblables mystères où il s’agit de choses visibles et sensibles ; car, quant aux autres mystères, de la grandeur de Dieu, de l’excellence des vertus, de la fin pour laquelle nous sommes créés, qui sont des choses invisibles, il n’est pas question de vouloir se servir de cette sorte d’imagination. Il est vrai que l’on peut bien employer quelque similitude et comparaison pour aider à la considération ; mais cela est aucunement difficile à rencontrer, et je ne veux traiter avec vous que fort simplement, et en sorte que votre esprit ne soit pas beaucoup travaillé à faire des inventions.
II.4 Depois destes dois pontos ordinários da meditação, há um terceiro, que não é comum a toda sorte de meditações: é o que uns chamam fabricação do lugar, e outros, lição interior. Ora, não é outra coisa senão propor à própria imaginação o corpo do mistério que se quer meditar, como se se passasse real e efetivamente na nossa presença. Por exemplo, se quiserdes meditar Nosso Senhor na cruz, imaginareis estar no monte Calvário e ver tudo o que se fez e se disse no dia da Paixão; ou, se quiserdes, porque é tudo um, imaginareis que no mesmo lugar onde estais se faz a crucifixão de Nosso Senhor, da maneira como os Evangelistas a descrevem. Digo o mesmo quando meditardes a morte, como o indiquei na meditação dela, e também na do inferno, e em todos os mistérios semelhantes em que se trata de coisas visíveis e sensíveis; porque, quanto aos outros mistérios, da grandeza de Deus, da excelência das virtudes, do fim para o qual fomos criados, que são coisas invisíveis, não se trata de querer servir-se dessa espécie de imaginação. É verdade que se pode bem empregar alguma semelhança e comparação para ajudar a consideração; mas isso é um tanto difícil de achar, e eu não quero tratar convosco senão muito simplesmente, e de sorte que o vosso espírito não se canse muito em fazer invenções.
Or, par le moyen de cette imagination, nous enfermons notre esprit dans le mystère que nous voulons méditer, afin qu’il n’aille pas courant çà et là, ni plus ni moins que l’on enferme un oiseau dans une cage, ou bien comme l’on attache l’épervier à ses longes, afin qu’il demeure dessus le poing. Quelques-uns vous diront néanmoins qu’il est mieux d’user de la simple pensée de la foi, et d’une simple appréhension toute mentale et spirituelle, en la représentation de ces mystères, ou bien de considérer que les choses se font en votre propre esprit ; mais cela est trop subtil pour le commencement, et jusques à ce que Dieu vous élève plus haut, je vous conseille, Philothée, de vous retenir en la basse vallée que je vous montre.
Ora, por meio desta imaginação, encerramos o nosso espírito no mistério que queremos meditar, para que não ande correndo de cá para lá, nem mais nem menos como se encerra um pássaro numa gaiola, ou como se prende o gavião pelas suas correias, para que fique pousado no punho. Alguns vos dirão, contudo, que é melhor usar do simples pensamento da fé, e de uma simples apreensão toda mental e espiritual, na representação destes mistérios, ou então considerar que as coisas se fazem no vosso próprio espírito; mas isso é sutil demais para o começo, e, até que Deus vos eleve mais alto, aconselho-vos, Filoteia, a vos manterdes no vale baixo que vos mostro.