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Parte V

Chapitre XVIII — Trois derniers et principaux avis pour cette Introduction

Capítulo XVIII — Três últimos e principais avisos para esta Introdução

V.18 Refaites tous les premiers jours du mois la protestation qui est en la première Partie, après la méditation ; et à tous moments, protestez de la vouloir observer, disant avec David : « Non, jamais éternellement je n’oublierai vos justifications, o mon Dieu, car en icelles vous m’avez vivifiée ». Et quand vous sentirez quelque détraquement en votre âme, prenez votre protestation en main, et prosternée en esprit d’humilité proférez-la de tout votre cœur, et vous trouverez un grand allégement.

V.18 Refazei em todos os primeiros dias do mês a protestação que está na primeira Parte, depois da meditação; e a todo momento protestai que a quereis observar, dizendo com Davi: «Não, jamais, eternamente, esquecerei as vossas justificações, ó meu Deus, porque nelas me vivificastes». E, quando sentirdes algum desarranjo na vossa alma, tomai a vossa protestação na mão e, prostrada em espírito de humildade, proferi-a de todo o vosso coração, e encontrareis um grande alívio.

Faites profession ouverte de vouloir être dévote ; je ne dis pas d’être dévote, mais je dis de le vouloir être ; et n’ayez point de honte des actions communes et requises qui nous conduisent à l’amour de Dieu. Avouez hardiment que vous vous essayez de méditer, que vous aimeriez mieux mourir que de pécher mortellement, que vous voulez fréquenter les sacrements et suivre les conseils de votre directeur (bien que souvent il ne soit pas nécessaire de le nommer, pour plusieurs raisons). Car cette franchise de confesser qu’on veut servir Dieu et qu’on s’est consacré à son amour d’une spéciale affection, est fort agréable à sa divine Majesté, qui ne veut point que l’on ait honte de lui ni de sa Croix ; et puis, elle coupe chemin à beaucoup de semonces que le monde voudrait faire au contraire, et nous oblige de réputation à la poursuite. Les philosophes se publiaient pour philosophes, afin qu’on les laissât vivre philosophiquement ; et nous devons nous faire connaître pour désireux de la dévotion, afin qu’on nous laisse vivre dévotement. Que si quelqu’un vous dit que l’on peut vivre dévotement sans la pratique de ces avis et exercices, ne le niez pas ; mais répondez amiablement que votre infirmité est si grande, qu’elle requiert plus d’aide et de secours qu’il n’en faut pas pour les autres.

Fazei profissão aberta de querer ser devota; não digo de ser devota, mas digo de querer sê-lo; e não tenhais vergonha das ações comuns e requeridas que nos conduzem ao amor de Deus. Declarai ousadamente que vos esforçais por meditar, que preferiríeis morrer a pecar mortalmente, que quereis frequentar os sacramentos e seguir os conselhos do vosso diretor (embora muitas vezes não seja necessário nomeá-lo, por várias razões). Porque essa franqueza de confessar que se quer servir a Deus e que se está consagrado ao seu amor com uma especial afeição é muito agradável à sua divina Majestade, que não quer que se tenha vergonha dele nem da sua Cruz; e, além disso, ela corta o caminho a muitas solicitações que o mundo quereria fazer em contrário, e nos obriga, pela reputação, a prosseguir. Os filósofos se apregoavam filósofos, para que os deixassem viver filosoficamente; e nós devemos dar-nos a conhecer como desejosos da devoção, para que nos deixem viver devotamente. E, se alguém vos disser que se pode viver devotamente sem a prática destes avisos e exercícios, não o negueis; mas respondei amavelmente que a vossa fraqueza é tão grande que requer mais ajuda e socorro do que é preciso para os outros.

Enfin, très chère Philothée, je vous conjure par tout ce qui est de sacré au ciel et en la terre, par le baptême que vous avez reçu, par les mamelles que Jésus-Christ suça, par le cœur charitable duquel il vous aima et par les entrailles de la miséricorde en laquelle vous espérez, continuez et persévérez en cette bienheureuse entreprise de la vie dévote. Nos jours s’écoulent, la mort est à la porte : « La trompette, dit saint Grégoire Nazianzène, sonne la retraite ; qu’un chacun se prépare, car le jugement est proche ». La mère de saint Symphorien, voyant qu’on le conduisait au martyre, criait après lui : « Mon fils, mon fils, souvienne-toi de la vie éternelle ; regarde le ciel et considère Celui lequel y règne ; la fin prochaine terminera bientôt la brève course de cette vie ». Ma Philothée, vous dirai-je de même, regardez le ciel et ne le quittez pas pour la terre ; regardez l’enfer, ne vous y jetez pas pour les moments ; regardez Jésus-Christ, ne le reniez pas pour le monde ; et quand la peine de la vie dévote vous semblera dure, chantez avec saint François :

Enfim, caríssima Filoteia, eu vos conjuro por tudo o que há de sagrado no céu e na terra, pelo batismo que recebestes, pelos seios que Jesus Cristo sugou, pelo coração caridoso com que ele vos amou e pelas entranhas da misericórdia em que esperais: continuai e perseverai nesta bem-aventurada empresa da vida devota. Os nossos dias se escoam, a morte está à porta: «A trombeta, diz são Gregório Nazianzeno, toca a retirada; que cada um se prepare, porque o juízo está próximo». A mãe de são Sinforiano, vendo que o levavam ao martírio, gritava atrás dele: «Meu filho, meu filho, lembra-te da vida eterna; olha o céu e considera Aquele que nele reina; o fim próximo terminará em breve a curta carreira desta vida». Minha Filoteia, assim vos direi eu também: olhai o céu e não o deixeis pela terra; olhai o inferno, não vos lanceis nele pelos momentos; olhai Jesus Cristo, não o renegueis pelo mundo; e, quando a canseira da vida devota vos parecer dura, cantai com são Francisco:

« A cause des biens que j’attends,
Les travaux me sont passe-temps ».

«Graças aos bens que espero ter,
Os meus trabalhos são prazer».

VIVE JÉSUS, auquel, avec le Père et le Saint-Esprit, soit honneur et gloire, maintenant et toujours et ès siècles des siècles. Ainsi soit-il.

VIVA JESUS, ao qual, com o Pai e o Espírito Santo, seja honra e glória, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Assim seja.

Fim

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